Em mostra de minha gratidão, divulgo aqui, mesmo que sem muita repercussão, este ótimo escrito. "Mares de Rum", do amigo Azar, autor também de "A Marreta do Azarão".
MARES DE RUM
MARES DE RUM
Embriago,
Me largo,
Transcendo cedo demais.
Furo os ventos, encaro penedos,
Enlouqueço os pontos cardeais :
Sou um pirata singrando em mares de rum.
Me lanço em batalhas,
No mais das vezes, mortais
E não há bucaneiro
Nesse mundo inteiro e sem fim
Que afunde meu navio-fantasma,
Que possa dar cabo de mim :
Sou um pirata singrando em mares de rum.
Estranho, mal-humorado,
Mandando pra prancha os amotinados,
Semblante soturno,
Sou filho do tombadilho,
A cria mais feia de Netuno :
Sou um pirata singrando em mares de rum.
E me deixo à deriva
Por dias e dias
Provoco enjoos no próprio mar,
Irrito as calmarias :
Sou um pirata singrando em mares de rum.
Mas não conheço descanso, refúgio,
Não encontro sossego em canto algum,
Com a cabeça (que já mal pensa) a prêmio,
Sempre perseguido por algum salafrário,
Banido das mais baixas ralés,
Renegado entre os corsários.
Sem calor, paz ou afeto,
Não podendo atracar em porto algum,
Sou um pirata definhando :
Sou um pirata sangrando em mares de rum.
Azarão - R.C

Agradeço a divulgação. Um dia, tomaremos uma garrafa e cambalearemos pelo convés e pela prancha.
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