segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O Último Discurso - Charles Chaplin

O último discurso

de “O Grande Ditador”

Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O anonimato da flor.

Por que não podes levar-me a forca? Já que eu mesmo me condeno!
como podes defender-me, se nem ao menos me conhece?!
por que confia a mim tuas dores, teus amores...?
Por que confia a mim, os verões que não te esqueces?
Por que, mal sabes o que queres?

E ainda confia no que sentes?
Por que ainda sim, sentes algo por mim?
Por que escutas o que digo?
Por que me chama de ombro amigo?
Por que se abre e sorri comigo?

O que te faz querer saber dos meus conflitos?
Por que não nos olhamos nos olhos... E fujo dos teus olhos aflito!?
Por que sentes algo, por que vem buscar abrigo?
Por que vês, este mistério comigo?
Oras, por que me causas tanta dor?...

Porque não me diz com fervor, que tens por mim a flor.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Universo Dorminhoco

Eu sempre quis ser superalgumacoisa,
Voar,
Saltar prédios, ter punhos de granada,
Lançar raios,
Erguer toneladas.

Na madrugada, meu filho chora.
Medo, dor, fome, pesadelo?

Mais rápido que uma bala, eu acorro a seu berço.
Ergo-o e o trago ao meu peito raquítico,
Que a ele deve parecer mais forte que uma locomotiva.
Seu choro vai minguando,
Seus músculos vão se deixando esparramar sobre mim,
O coraçãozinho diminui a marcha,
E, daí a pouco, o pescocinho tá mole-mole,
A cabecinha a pender em meu ombro esquerdo,
Babando de tranquilidade.

Continuo sem lançar teias
Ou expelir garras de metal do dorso das mãos.

Só que todas as noites,
Eu socorro, apazíguo,
Recoloco em órbita
E ponho para dormir um Universo.

Jamais supus tamanho poder.

Azarão -R.C.

domingo, 11 de julho de 2010

O Homem Perfeito


O homem perfeito é lindo
tem um pouco de mistério
é belo quando está rindo
é belo quando está sério

O homem perfeito é bom
tem um jeito carinhoso
quando fala, em meigo tom
causa arrepio gostoso

O homem perfeito é fino
é solícito, é fiel
tem a graça de um menino
e é mais doce que o mel

O homem perfeito adora
dar flores, botões de rosa,
a uma velha senhora
Ou uma jovem formosa

O homem perfeito tem
energia, não se cansa,
lava louça, cozinha bem,
gosta muito de criança

O homem perfeito é
sensível à grande arte
gosta de dança e ballet
Nunca há-de magoar-te

Para encerrar a preceito
estes versos que alinhei:
se existe um homem perfeito, ele só pode ser gay.


"Jô Soares"

domingo, 30 de maio de 2010

É o fim dos tempos.

Amem uns aos outros incondicionalmente.
Tenham fé... amor e gratidão...
NÃO JULGUE O OUTRO OU A IDEIA DO OUTRO... ISSO NÃO CABE A NOSSA EXISTÊNCIA.
cabe a nós amar... perdoar... nós próprios e os outros...
Julgar é ser julgado... Amar é ser amado...
Fiquem com Deus.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Boxeador das Sombras

sem bagagem pois o necessário ele leva
em seus punhos,no coração e um cantil e algumas ervas
medicinais relevantes e essenciais
sem olhar pra traz,com teus instintos apurados de mais
cresceu em meia selva,rodeada de bambus
com alecrins que contrastam com o amarelo sol e o azul
sem tempo pra dormir,só pra caminhar
seu treinamento é constante,pra sua missão continuar
seus ideias concretos,seus dons aprimorados
as lembranças do pais e do seu amor abandonado
fisicamente,pois eles estão no seu coração lacrado
lembranças pra eles são um modo de não se sentir solitário
ele viveu até 7 acompanhado
foi obrigado a abandonar
a sua infância pra ser tornar
um lutador,
e trazer de volta a prosperidade total ao seu vilarejo
independente de qual seja suas ambições ou desejo
quando ele nasceu a esperança de vitória veio junto
pro seu povo um motivo a mais pra querer viver nesse mundo
generais são desleais para com seu povo e juramentos
a lei do mais cruel se faz presente em seu tempo
desigualdade e todas as suas desencadeações
sua presença infecta o povo de desilusões
mancha o século e destrói sonhos de vários uns
mas a luta não termina,enquanto houver bravura em alguns

com a minha inteligência fazer justiça
uso meus punhos se houver resistência
meus ideias nunca trair,meus planos concretizar
bravura pra vencer,e garra pra continuar
com honestidade trilhar,ter foco pra não me perder
partir antes do sol nascer,e meu ferimentos nunca esquecer
pois é necessário,pra minha elevação
luto até a morte, para os meus não morrerem em vão

Pedro G

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Comum

Sentar sob um pedaço de concreto e refletir
ver as coisas mudarem,pessoas a sorrir
choros ecoam tão próximos aos meus ouvidos
lágrimas fogem dos olhos sofridos
comum

passo por homens,mulheres que muito desconheço
alguns trazem fracasso nos olhos,outras o preço
mentiras são contadas diariamente
verdades são enviadas por preferencia sem remetente

intende cartas da vida,digo historias de vidas
algo em comum entre pessoas nobres e sofridas?
sei que há ódio regando diariamente
a mente de quem sente na pele a impunidade

injustiça vejo de monte em montes com mansões
deficiências sociais elevando decepções
contradições em minha mente me leva a reflexão
tentativa tão comum pra buscar compreensão

alguns querem fazer outros já esperar
na mão num vai cair,perde por reclamar
um rap pra ouvir,também para pensar
te fazer reagir,seu ego inflar

é um presente meu dado pra mim,feliz estou
e num importa se o clima é como no sertão ou em moscou
vivo intensamente,atenciosamente,
empolgado com a arte fruto da minha mente

menina envolvente,carente,inteligente
preço inestimável,incomum, diferente
agente sente do dedão até o ultimo fio
o valor e a energia que nunca para como a de um rio

o fluxo é livre pra tomar o rumo de casa
na busca incessante ao paraíso plaza
o que digo em poucas linhas
vale mais do que mil palavras
pra expressar a felicidade da minha vidinha

que era simples,agora só tende a mudar
as coisas novas darão um novo rumo à caminhar
uma mão pra segurar uma boca para me beijar
um amor pa mim contar,um abraço a me esperar

as dificuldade decepar com a minha katana
sei que não é fácil mas,pior é se esconder em sua cama
não me desgasto mais com coisas previsíveis
vou mudar antes que os defeitos fiquem visíveis

não uso uma mascara pra cada ser
as vezes é necessário se reinventar,pra reviver
vou seguir tranquilo,confiante no fronte
preparado pra batalha da expansão dos meus horizontes

Pedro G.

Aquele Medo

Sabe aquela hora em que todo mundo teme,
O coração palpita, e o corpo todo treme
Incapacitado antes mesmo da disputa
Trava cada passo atrapalha a sua luta, Simplesmente,
Quando o medo bate no seu ombro derrepente,
E a sua tal coragem não se faz mas evidente, Parceiro
Sente o pesadelo arrepiando o seu cabelo, estorvando a sua mente
E assim o monstro vai se afeiçoando ao seu retrato,
Faz um homem facilmente tornar-se um rato
Perturbam seus sentidos, As coisas não parecem o que são
Estado de choque no cidadão, Então
Devo ser forte pro medo não me deter,
A justiça divina eu sempre devo temer,
A vontade de crescer faz aos meus temores eu ser resistente,
Mas o medo nunca é totalmente ausente.

Pedro G.

Como Quero

entre canções além de juras
além de palavras frases de ternura
alem do explicável, feito pra sentir
um toque é o suficiente pra te confundir

ela se faz presente diariamente
razão do meu semblante,triste e contente
emoções descobertas,devastações vividas
tragédias emocionais,histórias lindas

pessoas bem vindas,que se tornaram
insubstituiveis e que com o tempo não se apagaram
na verdade é ai que vem tbm a saudade
consumidora as vezes,destruidora,covarde

não existe apenas um forma de amar
das quais conheço ainda da pra contar
da forma que descobri,como vivi
o que senti,talvez seja diferente de como bateu ai

não dá pra viver sem
sem um companhia,brecar e não ir além
não dá não me peça,porque é natural
o passo largo pra buscar uma explicação racional

é pra ser sentido mais porque não compreende-lo
é a pergunta que não some diante ao descabelo
o porque de tanta felicidade varrida pela dor
vai entender o mecanismo,desse tal amor!

Pedro G.

O Grande Mentecapto.

Foi ele, esse iluminado de olhos cintilantes e cabelos desgrenhados, que um dia saltou dentro de mim e gritou basta!
Num momento em que meu ser civilizado, bem penteado, bem vestido e ponderado dizia sim a uma injustiça.
Foi ele quem amou a mulher e a colocou num pedestal e lhe ofereceu uma flor.
Foi ele quem sofreu quando jovem a emoção de um desencanto, e chorou quando menino a perda de um brinquedo, debatendo-se na camisa-de-força com que tolhiam o seu protesto.
Este ser engasgado, contido, subjugado pela ordem in¡quia dos racionais é o verdadeiro fulcro da minha verdadeira natureza, o cerne da minha condição de homem, herói e pobre-diabo, paria, negro, judeu, índio, santo, poeta, mendigo e débil mental. Vira-mundo! Que um dia ha de rebelar-se dentro de mim, enfim liberto, poderoso na sua fragilidade, terrível na pureza de sua loucura.

Fernando Sabino.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Glamour do preto e branco.

A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.

Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.

Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?

Charles Chaplin