quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Desculpas e uma Obs.

Eu estou impossibilitado de postar aqui no blog... assim que possível voltarei a atividade.
Até lá... sem poder escrever nada próprio vou mostrando oque jah tenho na gaveta e o que tenho de amigos...

A qui segue um escrito que não é meu e sim de um amigo com um estilo totalmente próprio... São inúmeras as possibilidades e maneiras de comunicação... Se você intende pode sentir...e intender seja como for passado...

Lá vamos nós:

Paz pra minha mente!

Há quem diga que a vida é bela

É porque nunca passou fome

E a realidade dela é a da novela

Eu não vou ignorar o que está em volta

A minha realidade é um que se mata outro que se droga

É a mesma realidade que a Sua

Aonde milhares moram em casas e outros milhares moram na rua

Passam fome,frio uma vida sem cor

É fácil ter pena de quem na vida só sentiu dor

E é fácil venerar aquele que se entope de jóia

Pra ti ele é o cara mais pra mim é só mais um nóia

Como você que não acorda, e não abre a cabeça

É manipulado pela moda,e acha legal se entupir de droga

O sistema é bruto, cruel e injusto

Mais se tem que ser firmão,irmão a todo custo

E o custo é vencer, obter uma vida melhor

Eu não quero ser retro, e continuar numa pior

E bater perna o dia inteiro,pra no final ser tudo em vão

Eu quero me garantir pra no futuro sentir satisfação

Meu coração é novo,mais a carga é pesada

Me mantenho bem informado,de alegria e desgraça

Eu quero paz pra minha mente,esquecer que é assim

A cada coice que levo da vida,foi-se embora parte de mim

no fim dos tempos, até ao fim da vida

sempre agradecerei por ter pernas e poder andar

ter coração e amar,braços pra abraçar

e ouvido pra ouvir,a voz da minha mãe!

Pedro G.

Publicado na Folha de São Paulo, 14/12/2009

Budista Light - de Luiz Felipe Pondé


"O "ASSUNTO Deus" é complicado. Em jantares inteligentes, é mais fácil você confessar que faz sexo com dobermans, prova de que seu gosto ultrapassou formas sexuais conservadoras. Mas, se falar sobre Deus, há risco grave de que não te convidem mais.
E aí nunca mais aquela cozinha vietnamita.
Melhor se dizer um budista light.Mas a mania que muito religioso tem de achar que tudo na vida se deve a Deus (ou similares) é um saco! Isso fala mais de sua preguiça e medo do que de Deus.Entendo o bode dos ateus com essa gente. Para mim, essa conversa é semelhante ao papo de que você tem câncer porque não resolveu adequadamente seus conteúdos emocionais.
Ora bolas, isso quer dizer que, se todo mundo um dia for feliz, ninguém vai ter câncer? Ou que, pior, além de ter câncer, você é um babaca responsável pelo câncer porque não fez terapia? Conheço gente que se diz ateia (e com isso se acha mais inteligente, como de costume) e acredita nessa baboseira de que o amor cura câncer.Mas, desculpe-me, ateísmo é coisa banal. Quando eu tinha oito anos era ateu.
O ateísmo é óbvio (por isso comecei a desconfiar dele), diante do lamentável estado da vida: somos uma raça abandonada (Horkheimer). Ateísmo não choca mais ninguém (pelo menos quem já leu uns três livros sérios na vida), porque ateus já são vendidos às dúzias em liquidações. E mais: ser ou não ateu não diz nada acerca de como a pessoa se comporta com os outros (ao contrário do que muitos ateus e não ateus pensam).
Existem canalhas de ambos os lados do muro.Deus, como se diz em filosofia, "é uma variável sem controle epistemológico", isto é, não se testa Deus em um laboratório.
Mas, antes, uma pequena heresia.
Mais chocante hoje é alguém confessar que não crê no aquecimento global, pelo menos na versão que aconteceu nesse espetacular concílio bizantino em Copenhague, reunindo toda a gente legal do mundo.
Confesso minha fraqueza: sou um herege, não acredito que meu pequeno carro aqueça o planeta, mas já estou pagando mais imposto por isso e tenho certeza de que outros virão. Acho essa história uma mistura de ego inflado (disputamos com o Sol para ver quem aquece mais?) e tédio (que tal salvar o planeta? A vida está tão chata na Dinamarca!). Meu cachorro anda triste? Deve ser o aquecimento global.
Sei que dizem que é fato científico, mas, para mim, que sou um medieval, só acredito na ciência quando vem no formato de resultados de exames do Fleury ou do Delboni, e não quando tem a ONU no meio e gente ganhando milhares de euros salvando o planeta.
Para mim, Copenhague foi aquele tipo de concílio onde se discutia se a roupa de Jesus era dele ou não. Temperamentos autoritários gozaram de tesão em Copenhague.
E o ateísmo? A constatação de que o mundo é péssimo e, por isso, Deus não deve existir é razoável. A primeira vez que isso me ocorreu foi quando descobri que existiam colegas mais felizes do que eu na escola, e aí eu julguei o mundo injusto. Se Deus, como todo mundo me dizia, era bom, por que eu não era o cara mais forte do mundo? Decidi que Deus não existia. Ou não era bom.
O ateísmo é uma conclusão óbvia, não há nenhuma grande inteligência nisso. Qualquer golfinho consegue ser ateu.Anos mais tarde, fosse eu uma dessas pessoas legais que creem no marketing do bem, concluiria que o mais justo seria que todos fossem igualmente felizes, e aí Deus teria sido democrático. Graças a Deus nunca passei pelo ridículo de pensar assim.
Quanto a Deus ser mau, concluí que melhor seria mesmo considerar o universo indiferente e cego e mecanicamente cruel. Naquele dia, tornei-me um trágico (antes de ler Nietzsche ou Darwin).Poucos ateus não são descendentes de uma criança infeliz e revoltada (e, veja, 110% das crianças, esses pequenos lindos monstros malvados, são infelizes porque sempre existem crianças mais felizes do que você).
A prova disso é que ateus gostam de falar mal da igreja (nunca superaram aquela freira azeda), de Deus (esse malvado que não me fez mais forte), ou do pai judeu (que me obrigou a só namorar judias).Ou acham que, se formos todos ateus, o mundo será melhor. Se você é assim e tem orgulho de ser ateu, você é um rancoroso.
Quando se deixa de acreditar em Deus, passa-se a acreditar em qualquer besteira (Chesterton): na Natureza, na História, na Ciência, na Dinamarca, em Si Mesmo. Essa última crença, eu acho, é a pior de todas. Coisa de gente cafona".