Foi ele, esse iluminado de olhos cintilantes e cabelos desgrenhados, que um dia saltou dentro de mim e gritou basta!
Num momento em que meu ser civilizado, bem penteado, bem vestido e ponderado dizia sim a uma injustiça.
Foi ele quem amou a mulher e a colocou num pedestal e lhe ofereceu uma flor.
Foi ele quem sofreu quando jovem a emoção de um desencanto, e chorou quando menino a perda de um brinquedo, debatendo-se na camisa-de-força com que tolhiam o seu protesto.
Este ser engasgado, contido, subjugado pela ordem in¡quia dos racionais é o verdadeiro fulcro da minha verdadeira natureza, o cerne da minha condição de homem, herói e pobre-diabo, paria, negro, judeu, índio, santo, poeta, mendigo e débil mental. Vira-mundo! Que um dia ha de rebelar-se dentro de mim, enfim liberto, poderoso na sua fragilidade, terrível na pureza de sua loucura.
Fernando Sabino.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
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